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Os resultados da privatização da telefonia
Comparatel comenta. Em soma, o consumidor e a sociedade foram altamente beneficiados.
Assistimos durante essa campanha eleitoral à volta das discussões sobre a
privatização do sistema de telecomunicações brasileiro. Muitas vezes, entram no
debate fatos e informações errôneas, geralmente baseando argumentos contra a
privatização. Para esclarecer o consumidor e disponibilizar um quadro panorâmico
do setor antes e após a venda da Telebrás no ano 1998, o Comparatel preparou
este artigo, apresentando os argumentos mais comumente utilizados contra e a
favor da privatização.
1- A principal reclamação contra as operadoras hoje são em relação às altas
tarifas praticadas. É comum encontrar a opinião de que as tarifas aumentaram
muito após a privatização da telefonia. Isso é verdadeiro? Em partes.
De fato, as tarifas praticadas hoje são altas, principalmente a assinatura
básica da telefonia fixa. Mas não é real que todos os serviços tenham aumentado
seus preços. Se pegarmos o exemplo da telefonia de longa-distância, e mais
especificamente, internacional, o fato é que as tarifas baixaram, e muito. Antes
da privatização, o minuto de uma chamada internacional São Paulo-Nova York
chegou a custar US$ 2,40. Hoje o custo é de menos de US$ 0,24, ou seja, um
décimo daquele preço. A redução das tarifas de longa distância se deu devido à
concorrência imposta pela presença de diversas operadoras, disputando o mesmo
setor. Já na telefonia local, a concorrência não veio: as concessionárias
Telefônica, Telemar e Brasil Telecom são praticamente monopolistas, detendo mais
de 95% de participação do mercado de telefonia fixa em suas áreas de atuação.
Os preços altos ficam evidentes quando comparados às tarifas praticadas em
países desenvolvidos. Não se pode ignorar, entretanto, a alta carga de impostos
que pesam sobre os serviços de telefonia no Brasil. A maioria dos países
desenvolvidos cobra menos de 10% sobre o valor das tarifas. Nenhum outro país
cobra mais do que 20% em imposto. O Brasil cobra 41%.
2- A taxa básica do telefone fixo está hoje por volta de R$ 40,00 (dependendo
do estado). Este valor subiu muito desde a privatização e é visto como o vilão
do abuso praticado pelas operadoras. No sistema Telebrás esta taxa praticamente
não existia, ou pelo menos o valor era muito baixo (em volta de R$ 1,00); em
contrapartida, o consumidor tinha de adiantar o valor do investimento para a
instalação da linha telefônica.
Vamos aos valores. No Paraná a Telepar cobrava R$ 1.117,00 para vender suas
linhas. Para adquirir uma linha, o consumidor pagava este valor e tinha que
esperar, em média, entre 1 e 2 anos para receber a linha instalada.
Este valor corrigido pelo IPC-A estaria hoje em R$ 1.965,88 (veja no site do
Banco Central). A taxa básica atual representa exatos 2% deste valor. Nenhum
banco hoje (e muito menos em 1998) empresta dinheiro com juros de 2%! Quem não
tinha R$ 1.965,88 sobrando para comprar sua linha telefônica tinha que emprestar
dinheiro a taxas bem superiores à taxa básica hoje praticada. Uma alternativa
sempre foi o mercado paralelo, que alugava telefones, e este aluguel funcionava
como a taxa básica. Os alugueis porém correspondiam a valores entre US 30,00 e
US 100,00 tendo como critério principalmente a escassez de linhas em cada
região.
Conclusão: apesar dos aumentos desproporcionais da taxa básica a partir de 1998,
não cabe o argumento de que a linha telefônica hoje estaria mais cara que antes
da privatização.
3- Mesmo considerando que as áreas rurais ainda têm carência no que diz
respeito aos serviços de telecomunicações, a privatização transformou
radicalmente a realidade da telefonia para o consumidor.
Em 1998, ano da privatização da Telebrás, o País tinha 24 milhões de acessos
telefônicos, entre fixos e móveis. Hoje tem 130 milhões, o que representa
aumento percentual de 441%. A linha telefônica, que antes era um bem de valor,
declarado no Imposto de Renda, e chegou a custar US$ 10 mil no mercado paralelo,
hoje, devido à grande oferta, virou serviço e não possui valor nenhum em si.
Além disso, havia filas de espera para adquirir uma linha, que podia demorar
meses, ou até anos, para ser instalada. Hoje, a instalação é feita em menos de
48 horas.
Na telefonia celular, o Brasil passou de 7,4 milhões de assinantes na época da
privatização para 95 milhões. Desse total, 80% das linhas estão na modalidade
pré-paga, que difundiu largamente o acesso da população de baixa renda à
telefonia.
4- Ao contrário do que muita gente pensa, a privatização não cortou vagas, e
sim gerou crescimento de emprego.
O setor empregava 179,3 mil pessoas em 1997. Em junho deste ano, eram 188,9 mil,
segundo o Ministério do Trabalho. Isso sem contar os 113,9 mil postos que foram
criados em centrais de atendimento.
Antes da privatização, havia 27 telefônicas, uma por estado, uma holding, a
Telebrás, uma outra voltada para serviços interurbanos e internacionais, a
Embratel. Como é sabido, estatais acabam muitas vezes servindo como cabide de
empregos, moeda para partidos políticos.
5- O valor pelo qual o sistema Telebrás foi vendido - R$22,2 bilhões - é por
vezes contestado como baixo demais, o que teria trazido prejuízos ao Estado. No
entanto, a contabilização do investimento trazido pela privatização chega a R$
265 bilhões.
Considerando apenas o recolhimento de impostos, o setor privado de telefonia
gerou no período 2003-2006 R$ 118 bilhões ao governo. A rede telefônica de 1998
gerava R$ 8 bilhões de impostos por ano. A rede atual, muito maior, gera R$ 35
bilhões por ano - o que significa um aumento de 337%.
Ainda, não sob a perspectiva do avanço social e da inclusão digital, mas do
lucro gerado pelo aumento expressivo do número de usuários e linhas telefônicas,
a privatização significou também um ótimo negócio para os estados, que arrecadam
ICMS de todos os serviços de telefonia. O percentual de domicílios com telefone
- fixos ou móveis - passou de 32% em 1998 para 74%. O número de usuários de
celulares saltou de apenas 5,2 milhões em 1998 para os 95 milhões atuais.
Os investimentos privados indiretos feitos em infra-estrutura chegam a somar R$
135 bilhões. Somada à essa cifra os R$ 100 bilhões de acréscimo na arrecadação
de impostos, proporcionados pela nova rede telefônica, mais os R$ 22,2 bilhões
recebidos pelo Estado, pela venda de 19% das ações da Telebrás que representavam
o controle daquela empresa, e além disso os R$ 8 bilhões obtidos nos leilões de
licenças de celular de todas as bandas. O total dessas contribuições ao Brasil
alcança R$ 265 bilhões. Parece inegável que a privatização tenha sido
financeiramente, ainda que se queria discutir outros aspectos, um ótimo negócio
tanto para o consumidor quanto para o Estado.
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